"O Amor é..."

Posted: 24 de setembro de 2011 by O Boss in
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Depois de encerrarmos as inscrições, elenco constituído, objetivos desenhados, está na hora de partir à descoberta da alma do nosso próximo trabalho. 


E temos um repto para todos aqueles que nos visitam; completar a frase "O Amor é..." com uma situação, sentimento, emoção ou episódio, o que quiserem. 


Escrevam-na num comentário, agradecemos desde logo os vossos contributos. Assine, se quiser. Quem sabe, se não irão reconhecer a vossa frase na nossa peça...

Oficina de Teatro - O Início

Posted: 4 de setembro de 2011 by O Boss in
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   Aqui vamos nós. Que se inicie a mais um ano de Teatro na Rocha Peixoto. Bons ventos, num ano em que vamos celebrar o 50º aniversário da morte do patrono da nossa escola. Aos que continuam, de outros anos, "é bom rever-vos"; aos recém chegados, "bem-vindos a bordo"; aos que não podem estar connosco, "sentimos a vossa falta e serão recordados". 

  Novas rotas, novos destinos, a mesma paixão. Simbolicamente mas também literalmente. 



  Os Conteúdos da Oficina: (5 dias, 2 sessões por dia; componente técnica + componente prática)
Dia 1 - Preparação física do ator
Dia 2 - Preparação vocal do ator
Dia 3 - Interpretação do texto
Dia 4 - Construção da personagem
Dia 5 – Contracena e Improvisação coletiva


A todos, desejo um bom ano... vamos fazer com que seja memorável. Apreciem a viagem.

Workshop

Posted: 24 de junho de 2011 by O Boss in
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Olá Devisas e candidatos a fazer parte dos Devisa...

A gerência lamenta informar que por motivos de força maior (trabalho, família e saúde) e menor (falta de comunicação entre vocês e eu) o workshop de teatro ficará adiado para o início de Setembro.

Não quero andar a reunir aos poucos com partes do grupo a perguntar quando estão disponíveis, nem vou fazer uma oficina dispersa no tempo.

Portanto, a oficina será realizada entre 5 e 9 de Setembro vai decorrer de manhã e de tarde durante esses 5 dias. Quem puder aparece, quem não puder, azar. Aparece depois...

Ah! quase me esquecia... têm muito tempo para arranjar e memorizar um texto sobre o amor... bonito, poético, clássico, moderno, dramático, humorístico, em prosa, qualquer coisa... mas um texto que amem, que vos inspire.

Levem-no sabido para o workshop. Dia 5 de Setembro, 9h00 no Auditório da Rocha.


Sendo assim, divirtam-se e boas férias.

Qualquer dúvida, perguntem.

Documentário sobre os DEVISA!

Posted: 13 de junho de 2011 by O Boss in
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Recebi da Andreia o seguinte email, que transcrevo na íntegra:

Ora parece que já temos documentário :)

Envio-lhe o link e com ele peço um ou dois favores.

Primeiro se pode encaminhar a todos os alunos do Teatro Escolar,
segundo se pode passar o link à direcção para que esta possa enviá-lo
a todos os alunos da escola. Claro está que poderá enviar a quem mais
quiser, outras escolas, outros grupos de teatro, familiares, amigos,
etc.

Poderão ainda colocá-lo num blog, rede social, site ou outra
ferramenta qualquer, fazendo-o chegar ao maior número de pessoas
possível.

Na nossa perspectiva é importante o número de visualizações e essas
só são contabilizadas se o documentário for visto até ao fim. No caso
corri um risco, ficou com 30 minutos, no entanto penso que não está
aborrecido. Mas sou suspeita, porque me deu muito gozo fazer o
trabalho :)

Devo acrescentar ainda que, no próximo mês de Julho, poderão ver este
trabalho também no videoclube da Zon, em Docs & LifeStyle, Localvisão
Tv, Vida e Lazer. E noutras plataformas, Vodafone, Rede Expressos,
etc. E claro no Facebook da Localvisão, se ainda não são nossos fãs acrescentem-nos e vejam lá também o documentário - LOCALVISAO TV - PORTO.

Espero que ninguém fique desiludido com o documentário e quero,
essencialmente, AGRADECER MAIS UMA VEZ A VOSSA COLABORAÇÃO ! :)



Obrigado nós, Andreia.

Esperamos comentários aqui neste blog.

Inscrições nos Devisa

Posted: 30 de maio de 2011 by O Boss in
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Estão abertas as inscrições para O Núcleo de Teatro Escolar – DEVISA até ao final do ano lectivo. A partir do dia 17 de Junho, vai realizar-se um Workshop de Teatro todas as 6as-feiras das 20h30 às 23h45.

Esta Oficina de Formação de Actores tem como objectivos:
§  Seleccionar e formar o elenco de actores e actrizes que constituirão o Núcleo de Teatro para o próximo ano lectivo;
§  Preparar a peça que irá ser apresentada em 2011;

Todos os interessados devem preencher uma Ficha de Inscrição (disponível na Biblioteca) e entregá-la na Biblioteca da Escola, ou diretamente ao Professor Jorge Curto.

Novas Apresentações de "Pum, tás Morto!"

Posted: 14 de maio de 2011 by O Boss in
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O Teatro Devisa vai apresentar a sua peça “Pum, tás morto!” nos dias:


·      17 de Maio - 22h00, integrada nas Comemorações do Dia da Escola.
·      20 de Maio - 22h00, para os alunos dos cursos nocturnos e aberto à Comunidade.
·      25 de Maio - 17h00, para os alunos dos cursos diurnos.


Adiantamos, também, que as Inscrições no Teatro Devisa decorrem entre 18 de Maio e o final do ano lectivo. Os interessados poderão preencher a Ficha de Inscrição na Biblioteca da Escola.

A partir do dia 17 de Junho, vai realizar-se um Workshop de Teatro todas as 6as-feiras das 20h30 às 23h45.

Esta Oficina de Formação de Actores tem como objectivos:
>  Seleccionar e formar o elenco de actores e actrizes que constituirão o Núcleo de Teatro para o próximo ano lectivo e...
>  Preparar a peça que irá ser apresentada em 2012.

Fotos e Memória da XI Mostra - Rocha Peixoto

Posted: 11 de maio de 2011 by O Boss in
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Fotos e Memória da XI Mostra - A Filantrópica

Posted: by O Boss in
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Participação d' A Filantrópica na XI Mostra




São apresentadas aqui apenas algumas fotos a pedido dos encenadores, uma vez que a peça vai novamente à cena nos dias 27, 28 e 29 de Maio e 3, 4 e 5 de Junho.

Fotos e Memória da XI Mostra - PortuGaliza.eu

Posted: by O Boss in
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Nota sobre o Programa

Posted: 21 de abril de 2011 by O Boss in
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Olá a todos os nossos Amigos e Visitantes


É com alguma pena que sou obrigado a emitir esta nota da Organização que vem informar de possíveis alterações ao Programa da Mostra anteriormente delineado.


A primeira, refere-se a uma das peças em cartaz, mais concretamente "A Tragédia do Rei Ricardo III" agendada para 5ª feira; devido a uma infeliz conjugação de problemas logísticos, quadra religiosa e condições atmosféricas, existe, neste momento, a real possibilidade de este espectáculo não se realizar;
com efeito, um atraso na construção das bancadas móveis onde se o público se senta, a chuva que tem impedido os ensaios e a montagem do espectáculo, e a época pascal com feriados na Sexta-feira Santa e na segunda-feira seguinte com as comemorações do 25 de Abril, vieram por em causa o normal desenvolvimento da produção desta peça.


Assim, restam-nos 2 hipóteses: 

  • se o tempo o permitir, apresenta-se o espectáculo, como ensaio aberto, exclusivamente para os grupos participantes na Mostra (uma vez que não há um mínimo de condições de conforto para acolher o público em geral),
  • ou, caso a chuva impeça definitivamente a montagem, esta peça será substituída por uma apresentação extraordinária da peça do Teatro Devisa, "Pum, 'tás morto!", no Auditório da Escola, à mesma hora.
A segunda alteração prende-se com o atraso na confirmação de um convidado para participar na tarde de 4ª-feira, "À conversa com...", tendo-se procedido a uma reestruturação do plano previsto, e que será, previsivelmente, a seguinte:
  • 3ª-feira -  Conversa com Jorge Curto (Devisa) e Brais Fernandes e Sabela Dávila (Portugalizia.EU)
  • 4ª-feira - Conversa com Pedro Galiza e Inês Pereira (A Filantrópica) e Anabela Vara (Terminal 46)
O tema destes debates giram em torno da formação destes grupos, o seu historial e percurso, os processos utilizados, a sua relação com a escola e a comunidade, qual o seu contributo para a Animação Sociocultural e tem como objectivo principal a partilha de experiências entre alunos e encenadores que participam nesta Mostra. 

Estas sessões terão o seu início às 15H00 no Auditório da ES Rocha Peixoto e, a quem interessar, gostaríamos de contar com a sua presença.

Quem trabalha em teatro sabe que há contingências que nos limitam e nos ultrapassam mas, como costumo dizer, a Mostra pode ficar mais empobrecida, mas não lhe faltará entusiasmo!

Allegria!



Apresentação da XI Mostra de Teatro Escolar da Póvoa de Varz

Posted: 19 de abril de 2011 by O Boss in
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Apresentação da XI Mostra

Começou uma nova fase da vida da Mostra: chamemos-lhe... se quiserem, adolescência! Os primeiros passos na direcção da maioridade, a experimentação da nossa independência, auto suficiência.

Depois de 10 anos em que fizemos do Auditório Municipal a nossa segunda casa, por muitas saudades que nos deixe, pelos momentos inesquecíveis lá vividos, chegou a altura de trazer a Mostra de Teatro Escolar para a Escola Rocha Peixoto, a casa mãe.

Muito se pensou no rumo a dar a este evento. Com certeza que nestes tempos de austeridade, não era de todo expectável continuar a ter na Póvoa de Varzim 9 ou 10 grupos de teatro escolar, todos os anos, com todos os encargos que esta iniciativa comporta. Pode dizer-se que, após a comemoração dos 10º aniversário - efeméride  que foi acarinhada com pelos nossos patrocinadores com toda a simpatia e alguma tolerância  financeira – impunha-se uma decisão que, não pondo em causa a sua realização, partisse de outras premissas:

  • A vontade de transformar a ES Rocha Peixoto no verdadeiro centro da Mostra de Teatro Escolar da Póvoa de Varzim, convidando as pessoas para virem à nossa casa ver teatro escolar feito por nós e por convidados nossos.
  • Alargar o âmbito da formação proporcionada por esta vertente da educação artística, a outros alunos, de outros cursos, da nossa escola através de um efectivo intercâmbio de experiências e de convívio.
  •  Consolidar a Mostra de Teatro Escolar na Póvoa como um pólo experimental de artes performativas, no qual, durante 4 dias, diferentes grupos convivem, aprendem, comunicam e partilham.
  • Privilegiar a colaboração com outros organismos, entidades, instituições para o desenvolvimento de projectos no âmbito do teatro, animação sociocultural e apoio psicossocial.
           Decorre, daqui, que o figurino agora proposto difere radicalmente dos anos transactos. Menos grupos, mas mais presentes durante toda a Mostra, nas oficinas de formação, nas actividades paralelas e na apreciação de todos os espectáculos em cartaz.

Se os tempos actuais nos obrigam a contenções que têm custos tanto na qualidade como na quantidade de produções culturais, compete-nos a nós, não justificar o argumento da moda que reza que, com menos dinheiro consegue-se fazer muita coisa, mas sim afirmar o nosso voluntarismo, a nossa responsabilidade cultural e a nossa competência criativa para continuar a fazer por amor o que competiria a outros fazer por dever.

Jorge Curto

Cartaz da Mostra

Posted: 3 de abril de 2011 by O Boss in
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Por ordem de entrada em cena:
Dia 26 - Terminal 46 - ES Marco de Canaveses


Sinopse
É a saga da sedutora Isabel que rentabiliza a sua lista de amantes, após a partida do marido para a Suiça. Por um erro de “marcação”, Isabel estará com Lemos em casa e já terá o Castelhano a aguardar sinal para entrar! Os amantes serão facilmente enganados? Lemos passará por irmão e o Castelhano por viagreiro, vendedor de viagra ao marido? Após o regresso do marido, a tristeza e abandono simulados pela protagonista serão convincentes?
Não se preocupe se não apreender tudo!! Contratamos uma equipa especializada de comentadores das melhores escolas – Bisbilhoteira, Beata, Mulher da Brigada Sexo Seguro, Machista e Menina Ingénua – que irá retalhar o que ocorre em casa de Isabel. 
Somos um grupo que pretende criar um espaço informal de partilha e troca de saberes, de aprendizagem solidária, de construção de amizades, de valorização da imaginação, de empenho colectivo e de muitos momentos imprevistos. 
O teatro permite-nos dar voz ao nosso íntimo e, ao mesmo tempo, representar todas as personagens imagináveis. Faz-nos olhar em volta, fortalecer a nossa cidadania. Aprendemos a dialogar com o nosso corpo, com o nosso grupo e com a nossa comunidade. Reforçamos a nossa capacidade de escuta e de partilha de diversidades.
O Terminal 46 não é só para os que gostam de pisar o palco, desejamos, também, criar um núcleo de interessados por produção de espectáculos, música, design, luz e som, guarda-roupa, cenário e adereços.
No presente ano lectivo, o projecto consiste na realização semanal de uma oficina de formação inicial e de continuidade na área do teatro, na apresentação de trabalhos colectivos, resultante da experiência adquirida na oficina, na participação em programas de intercâmbio com outros estabelecimentos de ensino ou entidades, na deslocação para assistir a espectáculos de teatro de companhias profissionais a nível local ou regional e na criação de um espaço de partilha e criação. 
No segundo ano de existência, finalmente, adoptamos o nome “Terminal 46”. Estamos na sala 46, última do corredor, ao fim do dia de sexta-feira, num espaço que, brevemente, será demolido! Mas continuaremos em cena. Este ano lectivo, começamos com o “Zé Povinho”, em Novembro, prosseguimos com a performance “A crise não nos fica bem!” e no Dia dos Namorados, promovemos o amor seguro com o “Auto dos Encontros”. Prosseguimos a festa do amor, através da encenação do “Auto da Bisbilhotice” para a XI Mostra de Teatro Escolar de Póvoa de Varzim.
Até lá.

Ficha Técnica
Interpretação
Isabel - Ana Sofia Loureiro
Fernando - Manuel Alves
Castelhano - Vítor Sousa
Lemos - Maria João Carneiro  
Laurinda - Carolina Coutinho
Kica - Beatriz Almeida
Mulher com televisão - Maria João Carneiro
Bisbilhoteira - Tânia Teixeira
Beata - Joana Ribeiro
Mulher da brigada A.S.S. - Fátima Teixeira
Menina - Ana Cláudia Almeida
Machista - Manuel Alves

Música  
Bruno Silva - Trompa
Cristina Santos - Clarinete 2
Diogo Dinis - Clarinete 1
Pedro Moreira - Precursões
Pedro Silva - Saxofone alto
Pedro Sousa - Saxofone soprano
Sérgio Silva - Violino

Texto - Anabela Vara  
Figurinos - 12º F 
Cenografia - Gabriel Alves
Direcção musical - Bruno Silva
Desenho de Luz - Anabela Vara
Fotografia - Clube de Fotografia
Cartaz - 11º M-TM  
Encenação - Anabela Alves
Produção - Clube de Teatro


Dia 27 - PortuGalizia



DATOS DA OBRA

Título
O sonho de Prisciliano

Elenco: 

Interpretación
Álvaro Costoya
Daniel Regueiro
Rebeca Campos
Carla Campos
Celtia Martín
Olaya Vázquez
Gael Alberto
Carlos Seoane
Carliños Ramos
Filipe
Falco
Soraia
Enmanuel
Clara

Músicos
Hadrián
María
Maca

Texto
Brais Fernandes

Dirección
Brais Fernandes e Sabela Dávila


Sinopse:

“O Sonho de Prisciliano” é unha peza nacida no verán de teatro no Pátio da Magnólia de Amarante, filla da “Historias de Portugaliza” estreada na Póvoa de Varzim o 14 de Abril do 2010.
 Un percorrido histórico con danzas e cantares galaico-potugueses que é á vez unha chamada á paz, a alegría e o entendemento pero, sobre todo, á transformación cara un mundo máis lindo e máis honesto.


Dia 28 - A Filantrópica



A Peça

            Uma das primeiras tragédias escritas por Shakespeare, “A Tragédia do Rei Ricardo III” é também uma das mais famosas, não só pela sua emblemática personagem principal, o disforme e maquiavélico duque de Gloucester, como também pela controvérsia que gerou ao longo dos séculos, desde a sua escrita em 1591. Sabe-se hoje, à luz da História, que o enredo dos acontecimentos não é exacto se comparado aos factos reais. Na verdade, são várias as inexactidões (propositadas, dizem os especialistas) em que Shakespeare incorre na sua elaboração: Ricardo não foi, nem de longe nem de perto, o tirano sanguinário que a peça descreve, não cometeu quase nenhum dos assassinatos que se lhe atribuiu, não era tão fisicamente deficiente como ele próprio se descreve (“Deformado, inacabado, enviado antes do meu tempo/ P'ra este mundo que respira ainda mal feito p'la metade/E assim tão lamentável e horrendo/ Que até os cães me ladram quando manco ao passar por eles”). Não obstante, a peça permanece como uma das obras mais geniais do dramaturgo, pois ela encerra em si um dos contos mais tenebrosamente sedutores que alguma vez se ergueram em cena.
            O pano de fundo é a Guerra das Rosas, o conflito que opôs as casas nobres de Iorque e Lencastre numa luta sangrenta pela conquista do trono de Inglaterra. Findo o conflito, ergue-se das cinzas da guerra a Real Casa de Iorque, liderada pelo triunvirato de irmãos: Eduardo, Rei de Inglaterra; Jorge, Duque de Clarence; Ricardo, Duque de Gloucester. O que é manifestamente insuficiente para o ambicioso Ricardo. Almejando reinar, o infame duque começa a tecer uma teia de perigosos jogos de influência por forma a minar os interesses dos seus pares. Opõe-se abertamente à Rainha Isabel e à sua família, recruta como seu aliado o influente Duque de Buckingham, conquista como sua amada Dona Ana, viúva do antigo Príncipe de Gales, que havia assassinado. A implacabilidade do seu coração só é igualada pela subtileza da sua acção. Assassina os seus irmãos, os seus sobrinhos, toda a alta nobreza e permanece, aos olhos da maioria, livre de qualquer suspeita, conquistando a coroa por exclusão de partes: quando Ricardo finalmente se senta no trono real, toda a linhagem de sucessão tinha sido por ele destroçada.
            Mas, se até este ponto, testemunhámos, enquanto público, a ascensão ao céu de um verdadeiro demónio, iremos testemunhar, até ao desenlace da peça, a sua estrondosa queda no mais abismal inferno. Ricardo isolou-se de tudo e de todos, é desprezado por toda a nobreza, os seus próprios aliados desertam ou são sumariamente executados por imaginadas traições. Ricardo vive sobressaltado, desconfiando das sombras. Ergue-se, em França, o Conde de Richmond, que irá atravessar os mares para disputar, pela força das armas, o direito real. O outrora imponente duque é assombrado pelos fantasmas das suas vítimas, pelas personificações da sua culpa imensa, pela sua psique fragmentada (“A minha consciência tem um milhão de diferentes vozes/ E cada voz traz consigo um horrendo conto/ E cada conto me confirma como um vilão.”) Nos campos de Bosworth, o exército de Ricardo é rimbombantemente destruído pelo de Richmond. “Sangrento és, sangrento será o teu fim”, havia vaticinado a mãe de Ricardo. E assim sucede.
            É esta a vertiginosa viagem proposta por Shakespeare e é este “horrendo conto” que nos propomos erguer, não como uma exploração sádica e voyeurista da imaginada biografia de um tirano, mas como uma séria reflexão acerca da natureza dessa mesma tirania, da sua composição, das suas consequências, das suas vítimas. Não há aqui inocentes, tão pouco, nem sequer o público, que jogará os seus próprios afectos ao presenciar Ricardo lutar pelos seus.
O Espectáculo
           
            Este espectáculo insere-se no género “site specific”, ou seja, é um espectáculo cujo processo de construção tem em conta, como directriz primeira da construção cénica, as particularidades do espaço de apresentação, tentando capitalizar as suas especificidades arquitectónicas e estéticas e construindo um objecto teatral indissociável do espaço que ocupa. Assim sendo, e tendo em conta a soturnidade da peça escolhida este ano, pareceu-nos desejável encontrar um espaço que possibilitasse uma certa grandeza cénica, um conflito entre luz e sombra, um espaço que se desse bem à evocação fantasmagórica da voz e do corpo do actor. De entre das limitadas possibilidades que tínhamos, a Garagem Linhares, na Praça do Almada, surgia-nos sempre como a mais desejável, pois reúne todas estas características, possuindo, para além disso, uma localização central, dentro da comunidade poveira, invejável.
            Estando este espaço assegurado, precisávamos de começar a elaborar um pensamento cénico sobre a adaptação da construção dos actores ao espaço real da garagem. Começámos por imaginar qual seria a relação privilegiada que Ricardo manteria com o público (visto que, por várias vezes, ele o interpela directamente, como se de um confidente se tratasse, transmitindo ao espectador, de antemão, as suas maquinações, projecções e anseios). Imaginámos que Ricardo poderia, ele mesmo, guiar o público pelo espaço da Garagem, assumindo o papel de “apresentador” dos acontecimentos e das cenas. Assim sendo, desenhámos  bancadas móveis, onde o público se sentaria, que pudessem ser transportadas por todo o espaço, dando-nos a possibilidade de construir cenas em praticamente qualquer um dos recantos da garagem, podendo nós explorar o espaço na sua totalidade.
            Depois, passámos à exploração psicológica das personagens que compõem o quadro gótico e sombrio que queríamos apresentar. A mente de Ricardo, máquina principal que impele o espectáculo rumo ao seu desfecho, surgiu-nos como uma complexidade em si própria altamente metaforizável e, assim, eminentemente representável. Essa metáfora materializa-se através do coro de vozes que, em conjunto, dá matéria viva ao pensamento de Ricardo.
            Esta possibilidade resulta também do estudo estético que se fez sobre as personagens e cenas. Tentámos, o mais possível, afastarmo-nos do realismo cénico, substituindo-o por uma relação simbólica entre as personagens e as suas acções. Elas não são reais. Não queremos, então, que o pareçam. Podemos chamar-lhes fantasmas, vestígios, restos de pessoas que assombram a cena. Nas palavras da Rainha Margarida, rainha deposta, ostracizada, exilada, exemplo primeiro dessa semi-existência em forma de sombra: “Assim girou a roda da justiça/ E fez de ti não mais do que uma presa do tempo/ Não tendo nada além da memória do que foste/ Para mais te torturar, sendo agora o que és”. Presas do tempo, memórias de tempos idos, torturadas, assim são as personagens que habitam a garagem, artificialmente preservadas para prazer do público.
            Como pilar último do nosso pensamento dramatúrgico, surge o tratamento especial que daremos à luz. De modo a, com sucesso, poder alcançar os nossos objectivos, necessitávamos de um ambiente que jogasse a luz e a sombra de forma maniqueísta, confrontando os opostos por forma a congregá-los em cena. Assim sendo, resolvemos aproveitar a estrutura da garagem e iluminá-la “de baixo para cima”, aumentando-lhe assim a soturnidade e imponência e abandonando, por consequência, as personagens aos seus percursos de sombra através do inferno dantesco criado por Ricardo.


Tradução
Pedro Galiza
 

Adaptação e Direcção
Inês S Pereira e Pedro Galiza



Produção
Filipa Sousa

Direcção de Cena
Ana Cláudia Flores e João Carlos Terroso

Design de Luz
José Macieira

Design de Som e Operação
Nuno Pinto de Carvalho

Design de Vídeo e Operação, Operação de Luz
Nuno Leites

Design Gráfico
Daniela Fardilha, Diana Portela e Telmo Parreira

Interpretação
Ana Fernandes
Ana Cláudia Flores
João Carlos Terroso
Cláudia Silva
Crestina Martins
Eduarda Cadeco

Inês S Pereira
Jaime Delgado
Jéssica Rabaldo
Jorge Curto
José Torres
João Miguel Ferreira
Pedro Galiza
Samir Zidane



Interpretação Vídeo
Giselle Stanzione





Dia 29 – Devisa – ES Rocha Peixoto


Apresentação de “Pum, ‘tás morto!”

 Originalmente escrita por um americano, para americanos, retratando a  realidade americana, por muitas razões esta peça tem sido representada um pouco por todo o mundo; porque a realidade que espelha não se confina à América, ultrapassa fronteiras e estende-se um pouco por todas as  escolas  do mundo.
Desde a sua estreia, em Abril de 1999, a peça tem suscitado controvérsia e ásperas críticas, mas também aprovação e veementes recomendações: desde acusações de incitamento à violência, até ao reconhecimento de que constitui um alerta para a prevenção dessa mesma violência antes que seja tarde demais. 
A violência escolar,  o bullying,  os relacionamentos familiares e escolares, a importância dos afectos (e as consequências da falta deles) na adolescência, os papéis dos educadores – pais , professores, psicólogos – na prevenção de situações que indiciam a sua presença, são aqui abordados num caso extremo, um exemplo limite do já longo historial de assassínios em escolas – Columbine, Jonesboro e Springfield nos Estados Unidos, Dunblane no Reino Unido e Erfurt na Alemanha.
O enredo baseia-se em acontecimentos verídicos protagonizados por Kip Kinkel, aluno de uma escola secundária em Springfield, Oregon – Estados Unidos, em Maio de 1998.
É incómodo, melindroso mesmo, falar sobre violência escolar; não se vê, mas sabemos que existe, sussurra-se mas receia-se falar abertamente sobre ela.
Decidimos correr o risco, quebrar o código de silêncio, desfazer o tabu e representar esta tragédia... na esperança de que nunca mais aconteça na vida real.

Ficha Técnica

Texto
William Mastrosimone (EUA)


Tradução e Adaptação




Jorge Curto


Interpretação
Ana Filipa Barbosa
Ana Isabel Fernandes
Ana Isabel Pereira
Mafalda Areias
Armando Gomes
Bárbara Marafona
Bernardo Travessas
Catarina Carreira
Cátia Lopes
Cláudia Silva
Francisco Pires
João Ferreira
José Miguel Costa
Luísa Faria
Mara Silva
Mariana Troina
Rita Agra
Sílvia Neves
Sofia Capitão
Tânia Castro
Tomás Carvalho


Percussionistas
Ana Cristina Laginha, Cathy Filipe, Joana Moça, Juliana Neiva, Liliana Morim, Maria Isabel Silva e Sara Alves

Encenação
Jorge Curto

 Agradecimentos
Direção da ES Rocha Peixoto
Dr. Luís Diamantino – Pelouro da Cultura da CMPV
Axis Hotel
Sindicato dos Professores do Norte
Caixa Geral de Depósitos
Encarregados de Educação
A Filantrópica
Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim
Telmo Parreira (Cartaz da XI MTE)
Rita Nova, Nuno Pinto de Carvalho e Marionetas de Mandrágora
Professores e Funcionários da Rocha
Grupos Presentes
10ºR e 12ªN (Cursos Profissionais de Apoio Psicossocial e Animador Sociocultural)

A todos os que, de algum modo, apoiam a XI Mostra, nela participam e com a sua presença nos honram.